{"id":8758,"date":"2025-06-11T17:20:34","date_gmt":"2025-06-11T20:20:34","guid":{"rendered":"https:\/\/radiopapacaca.com.br\/noar\/?p=8758"},"modified":"2025-06-11T17:20:36","modified_gmt":"2025-06-11T20:20:36","slug":"canceres-raros-de-apendice-estao-aumentando-entre-millennials-e-a-geracao-x","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiopapacaca.com.br\/noar\/canceres-raros-de-apendice-estao-aumentando-entre-millennials-e-a-geracao-x\/","title":{"rendered":"C\u00e2nceres raros de ap\u00eandice est\u00e3o aumentando entre millennials e a gera\u00e7\u00e3o X."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo mostra que o c\u00e2ncer de ap\u00eandice est\u00e1 se tornando mais comum entre as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, refletindo um padr\u00e3o que vem ocorrendo com outros tipos de c\u00e2ncer desde a d\u00e9cada de 1990. As taxas de incid\u00eancia de c\u00e2ncer entre os membros da Gera\u00e7\u00e3o X foram de duas a tr\u00eas vezes maiores do que entre as pessoas nascidas na d\u00e9cada de 1940, de acordo com o estudo, publicado na segunda-feira no peri\u00f3dico Annals of Internal Medicine. As taxas entre os millennials mais velhos, nascidos na d\u00e9cada de 1980, foram quatro vezes maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com esses aumentos, o c\u00e2ncer de ap\u00eandice ainda \u00e9 extremamente raro. Estima-se que m\u00e9dicos diagnostiquem cerca de 3.000 novos casos nos Estados Unidos a cada ano, em compara\u00e7\u00e3o com mais de 150.000 casos de c\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto. As descobertas surgem em um momento de crescente preocupa\u00e7\u00e3o com o aparecimento precoce de certos tipos de c\u00e2ncer, incluindo colorretal, de mama e renal. A nova pesquisa descreve o que \u00e9 conhecido como efeito de &#8220;coorte de nascimento&#8221;, ou seja, uma doen\u00e7a que se torna mais comum entre gera\u00e7\u00f5es sucessivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Tal efeito d\u00e1 credibilidade \u00e0 ideia de que pessoas nascidas ap\u00f3s um determinado per\u00edodo tiveram exposi\u00e7\u00f5es semelhantes a algo que est\u00e1 aumentando seu risco de c\u00e2ncer mais do que entre pessoas nascidas d\u00e9cadas antes \u2014 disse Andrea Cercek, oncologista do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, que n\u00e3o participou do estudo. \u2014 E o fato de os pesquisadores terem observado efeitos geracionais semelhantes em c\u00e2nceres colorretais e g\u00e1stricos sugere que pode haver alguns fatores de risco compartilhados entre esses c\u00e2nceres e o c\u00e2ncer de ap\u00eandice \u2014 disse Andrew T. Chan, gastroenterologista do Hospital Geral de Massachusetts que pesquisa a epidemiologia do c\u00e2ncer de c\u00f3lon e tamb\u00e9m n\u00e3o estava envolvido no estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dieta \u00e9 uma dessas possibilidades, disse o gastroenterologista. O consumo de alimentos ultraprocessados aumentou ao longo do tempo, e esses alimentos \u2014 especialmente carnes processadas e bebidas a\u00e7ucaradas \u2014 t\u00eam sido associados a um risco aumentado de c\u00e2ncer de c\u00f3lon. \u2014 As taxas de dist\u00farbios metab\u00f3licos como obesidade e diabetes \u2014 ambos associados a c\u00e2nceres de c\u00f3lon e est\u00f4mago \u2014 t\u00eam aumentado ao longo do tempo. Os jovens, em particular, podem estar cada vez mais expostos aos efeitos negativos da obesidade e do diabetes em uma fase da vida em que s\u00e3o possivelmente mais suscet\u00edveis ao desenvolvimento de c\u00e2ncer \u2014 disse Chan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredita-se tamb\u00e9m que o \u00e1lcool e as altera\u00e7\u00f5es no microbioma intestinal aumentam o risco de alguns tipos de c\u00e2ncer gastrointestinal. \u2014 Os cientistas ainda n\u00e3o sabem se algum desses fatores ambientais influencia especificamente o c\u00e2ncer de ap\u00eandice \u2014 disse Andreana Holowatyj, professora assistente de hematologia e oncologia no Centro M\u00e9dico da Universidade Vanderbilt e principal autora do novo estudo \u2014 como o c\u00e2ncer \u00e9 t\u00e3o raro, h\u00e1 muito pouca pesquisa sobre suas causas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela e outros especialistas afirmaram que uma s\u00e9rie de fatores provavelmente est\u00e1 em jogo, incluindo a gen\u00e9tica. Um diagn\u00f3stico mais preciso tamb\u00e9m pode ser respons\u00e1vel por parte do aumento documentado. At\u00e9 recentemente, alguns c\u00e2nceres de ap\u00eandice \u2014 que muitas vezes s\u00e3o diagnosticados incidentalmente quando algu\u00e9m com apendicite tem o ap\u00eandice removido \u2014 eram classificados erroneamente como c\u00e2ncer de c\u00f3lon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora afirma que \u00e9 improv\u00e1vel que o aumento do c\u00e2ncer de ap\u00eandice seja apenas uma quest\u00e3o de classifica\u00e7\u00e3o aprimorada. \u2014 Os pesquisadores encontraram um efeito geracional particularmente forte para um tipo espec\u00edfico de c\u00e2ncer que sempre foi classificado como c\u00e2ncer de ap\u00eandice. Os m\u00e9dicos que tratam apendicite tamb\u00e9m deixaram de recorrer \u00e0 cirurgia sempre que poss\u00edvel \u2014 disse Cercek, o que significa que mais diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer ap\u00f3s apendicectomias tamb\u00e9m n\u00e3o estariam influenciando o resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um esfor\u00e7o de pesquisa chamado Appendiceal Cancer Consortium est\u00e1 trabalhando para reunir dados e amostras de v\u00e1rios estudos para entender melhor os fatores de risco e marcadores biol\u00f3gicos espec\u00edficos do c\u00e2ncer de ap\u00eandice. Embora n\u00e3o haja uma boa maneira de rastrear o c\u00e2ncer no momento, os cientistas esperam que mais conhecimento sobre a doen\u00e7a leve a uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os sintomas e, talvez, \u00e0 detec\u00e7\u00e3o mais precoce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outra pesquisa, Holowatyj descobriu que 77% dos pacientes diagnosticados com c\u00e2ncer de ap\u00eandice apresentavam pelo menos um sinal ou sintoma de alguma condi\u00e7\u00e3o abdominal, como dor ou incha\u00e7o. Muitas vezes, esses sintomas duravam meses, em compara\u00e7\u00e3o com os sintomas mais agudos que geralmente levam as pessoas com apendicite a procurar atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 H\u00e1 uma oportunidade e uma janela para interven\u00e7\u00e3o a\u00ed \u2014 disse Holowatyj. Para Richard Thoma, um maratonista diagnosticado com c\u00e2ncer de ap\u00eandice em 2023, os primeiros sinais da doen\u00e7a foram incha\u00e7o e fadiga, que os exames de sangue n\u00e3o conseguiam explicar e que n\u00e3o se resolveram com mudan\u00e7as na dieta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Finalmente, um exame revelou que ele tinha c\u00e2ncer no ap\u00eandice e na cavidade abdominal. Ele passou por uma cirurgia de 12 horas para remover o c\u00e2ncer, bem como partes do c\u00f3lon, est\u00f4mago, ba\u00e7o, ves\u00edcula biliar e reto, seguida por quimioterapia aquecida administrada diretamente no abd\u00f4men. \u2014 Eles se referem a ela como a m\u00e3e de todas as cirurgias \u2014 disse Thoma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele deixou o hospital com uma intravenosa para administrar nutrientes diretamente na corrente sangu\u00ednea e com uma bolsa de ostomia para coletar res\u00edduos. Seu peso caiu de 82 kg para 60 kg. O c\u00e2ncer retornou em 2024, e ele passou por uma segunda rodada do procedimento de cirurgia e quimioterapia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, ele n\u00e3o mostra nenhuma evid\u00eancia de c\u00e2ncer de ap\u00eandice e tem um plano para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o e arrecadar fundos para pesquisas sobre a doen\u00e7a: ele vai correr a Maratona de Nova York neste outono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por<\/strong><strong>&nbsp;Ag\u00eancia O Globo<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo mostra que o c\u00e2ncer de ap\u00eandice est\u00e1 se tornando mais comum entre as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, refletindo um padr\u00e3o que vem ocorrendo com outros tipos de c\u00e2ncer desde a d\u00e9cada de 1990. 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