{"id":3031,"date":"2023-03-26T18:08:10","date_gmt":"2023-03-26T21:08:10","guid":{"rendered":"https:\/\/radiopapacaca.com.br\/noar\/?p=3031"},"modified":"2023-03-26T18:08:11","modified_gmt":"2023-03-26T21:08:11","slug":"brasil-tem-mais-de-270-animais-exoticos-que-ameacam-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiopapacaca.com.br\/noar\/brasil-tem-mais-de-270-animais-exoticos-que-ameacam-biodiversidade\/","title":{"rendered":"<strong>Brasil tem mais de 270 animais ex\u00f3ticos que amea\u00e7am biodiversidade.<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil convive com 272 animais ex\u00f3ticos invasores em seus diversos ecossistemas, segundo base de dados do Instituto H\u00f3rus de Desenvolvimento e Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental monitora, desde 2005, esp\u00e9cies consideradas ex\u00f3ticas por n\u00e3o pertencerem&nbsp;originalmente \u00e0quele local e invasoras porque se reproduzem e se espalham, de forma descontrolada, amea\u00e7ando a biodiversidade da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o animais pouco conhecidos do grande p\u00fablico, como o lagarto anolis-marrom (<em>Anolis sagrei<\/em>), a caranguejola (<em>Cancer paguros<\/em>) e o coral-sol (<em>Tubastrea sp.<\/em>), mas h\u00e1 outros mais famosos como os onipresentes c\u00e3es (<em>Canis familiaris<\/em>), gatos dom\u00e9sticos (<em>Felis catus<\/em>) e pombos-comuns (<em>Columba livia<\/em>). E eles chegam por aqui, trazidos pelo homem de diversas formas, seja acidentalmente por meio de navios e plataformas de petr\u00f3leo, seja propositalmente, para servir como fonte de alimenta\u00e7\u00e3o, como estoque para pesca\/ca\u00e7a esportiva ou como animais de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coral-sol, por exemplo, \u00e9 nativo dos oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico. Ele chegou ao Brasil atrav\u00e9s das plataformas de petr\u00f3leo fabricadas no exterior e trazidas para a Bacia de Campos. J\u00e1 o lagostim-vermelho (<em>Procambarus clarkii<\/em>) chegou ao Brasil, vindo dos Estados Unidos, atrav\u00e9s do&nbsp;<em>hobby<\/em>&nbsp;de aquarismo e acabou sendo liberado em rios e lagos. J\u00e1 o achig\u00e3 (<em>Micropterus salmoides<\/em>), tamb\u00e9m nativo dos EUA, foi introduzido no pa\u00eds inicialmente para a aquicultura, mas depois foi solto em corpos d\u2019\u00e1gua do pa\u00eds para a pesca esportiva. A til\u00e1pia africana Oreochromis macrochir tamb\u00e9m foi inserida para servir para a pesca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses animais amea\u00e7am a biodiversidade local por causar um desequil\u00edbrio ambiental. Afinal, eles chegam de repente em um ambiente que levou gera\u00e7\u00f5es para encontrar um balan\u00e7o entre os diversos seres que habitam aquela \u00e1rea. \u201cOs problemas gerados dependem da esp\u00e9cie. Tem esp\u00e9cies predadoras, que se alimentam de outros animais, como \u00e9 o caso do peixe-le\u00e3o (<em>Pterois volitans<\/em>), bastante agressivo que se alimenta de diversas esp\u00e9cies de peixes. Temos outros como os javalis (<em>Sus scrofa<\/em>), que destroem a regenera\u00e7\u00e3o natural de plantas na floresta e degradam \u00e1reas naturais. E tem aquelas que ocupam espa\u00e7o de esp\u00e9cies nativas, como a tartaruga tigre-d\u2019\u00e1gua [americana,&nbsp;<em>Trachemys scripta<\/em>]. Elas acabam ocupando nichos de reprodu\u00e7\u00e3o ou de descanso de esp\u00e9cies similares nativas\u201d, explica a fundadora do Instituto H\u00f3rus, Silvia Ziller.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Impactos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Banco de Dados Nacional de Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras, mantido pelo Instituto H\u00f3rus, aponta ainda outros problemas, como a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as do animal ex\u00f3tico para a fauna nativa. \u00c9 o caso do lagostim-vermelho, que \u00e9 vetor de um fungo que pode dizimar esp\u00e9cies nativas e que teve seu com\u00e9rcio e cria\u00e7\u00e3o proibidos pelo governo brasileiro em 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo \u00e9 o peixe panga (<em>Pangasianodon hypophthalmus<\/em>), proveniente da \u00c1sia e inserido pelo aquarismo e aquicultura, que \u00e9, segundo o banco de dados, suscet\u00edvel a doen\u00e7as parasit\u00e1rias. H\u00e1 ainda o risco de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as para o ser humano, como \u00e9 o caso do camar\u00e3o-tigre-gigante (<em>Penaeus monodon<\/em>), vetor de v\u00edrus e bact\u00e9rias como a salmonella, nativo dos oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico e introduzido pela aquicultura, ou do caramujo-gigante-africano (Lissachatina fulica), vetor do verme que causa a angiostrongil\u00edase abdominal, inserido no Paran\u00e1 como iguaria culin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale mencionar que o Aedes aegypti, mosquito transmissor de doen\u00e7as como dengue, zika e chikungunya, tamb\u00e9m \u00e9 uma esp\u00e9cie invasora. Origin\u00e1rio do nordeste da \u00c1frica, chegou ao Brasil de forma acidental, provavelmente atrav\u00e9s do tr\u00e1fico de escravos. Outro impacto negativo \u00e0 biodiversidade \u00e9 a contamina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies nativas, uma vez que animais ex\u00f3ticos podem acasalar com os nativos e gerar h\u00edbridos. A molin\u00e9sia (<em>Poecilia sphenops<\/em>), que vive do M\u00e9xico ao norte da Am\u00e9rica do Sul, por exemplo, se hibridiza com o nativo guaru (<em>Poecilia vivipara<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cBicho invasor ou planta tamb\u00e9m quando est\u00e1 num novo ambiente, em condi\u00e7\u00f5es novas, \u00e0s vezes ele tem potencial no material gen\u00e9tico [para se adaptar], e aquilo explode num ambiente totalmente novo. \u00c9 um erro nosso [provocar a invas\u00e3o], mas cabe a gente para cuidar que isso seja cessado ou pelo menos minimizado para reduzir os problemas\u201d, afirma Jorge Antonio Louren\u00e7o Pontes, doutor em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o e pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, foi criada a Estrat\u00e9gia Nacional para Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras, comandada pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, que consiste em instrumentos como a manuten\u00e7\u00e3o de uma base de dados para monitorar a situa\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de planos espec\u00edficos para lidar com esp\u00e9cies individuais, grupos de esp\u00e9cies, regi\u00f5es ou vias de dispers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos focos principais \u00e9 proteger as esp\u00e9cies nativas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que, segundo a Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN), as ex\u00f3ticas invasoras s\u00e3o uma das principais causas de extin\u00e7\u00f5es e perda de biodiversidade no mundo. Como o controle das invasoras \u00e9 dif\u00edcil, principalmente quando ela j\u00e1 se espalhou por um grande territ\u00f3rio, h\u00e1 uma prioridade em detectar precocemente as invas\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm vez de voc\u00ea s\u00f3 investir em programas de controle, que s\u00e3o de longo prazo, tamb\u00e9m investir em uma abordagem mais preventiva, de detec\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies quando elas come\u00e7am a ser um problema. Aquelas que s\u00e3o introduzidas mais recentemente, porque ainda t\u00eam popula\u00e7\u00f5es menores, ainda s\u00e3o focos pequenos. A erradica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais vi\u00e1vel do que quando j\u00e1 tem popula\u00e7\u00f5es muito grande estabelecidas. O javali j\u00e1 est\u00e1 espalhado pelo Brasil, assim como o caracol-africano. A gente vai conviver com essas esp\u00e9cies sempre. Elas n\u00e3o s\u00e3o mais pass\u00edveis de elimina\u00e7\u00e3o completa. Elas s\u00e3o pass\u00edveis de iniciativas de controle, em \u00e1reas priorit\u00e1rias\u201d, afirma Ziller.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora cita como exemplo bem-sucedido de combate a esp\u00e9cies invasoras, a erradica\u00e7\u00e3o das cabras de Trindade, ilha oce\u00e2nica localizada a mais de mil quil\u00f4metros da costa brasileira. Os animais, introduzidos por colonos s\u00e9culos atr\u00e1s, dizimaram a flora nativa. Cerca duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, finalmente foram eliminados com o objetivo de tentar restaurar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, apenas para comprovar como esp\u00e9cies invasoras s\u00e3o um problema de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o, as tentativas de restaurar a flora nativa acabaram gerando outro problema. Em meio \u00e0s mudas produzidas no continente e levadas para a ilha, viajaram lagartixas-comuns (<em>Hemidactylus mabouia<\/em>), esp\u00e9cies ex\u00f3ticas at\u00e9 mesmo no continente americano que passaram a povoar Trindade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;tentou ouvir o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) sobre as estrat\u00e9gias para lidar com esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Da Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil convive com 272 animais ex\u00f3ticos invasores em seus diversos ecossistemas, segundo base de dados do Instituto H\u00f3rus de Desenvolvimento e Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental. 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